domingo, junho 22, 2014

Desacerto

 

Às vezes há momentos

Em que me perco no pensamento.

Vivo de desacertos,

Esperas, caminhos incertos,

Refém, á velocidade do tempo.

 

São angústias vividas

Que me inundam o coração .

Não tivera eu memoria,

Pra esquecer a minha história,

E recomeçar acorrentado à razão .

 

É querer tudo arbitrar

Com o instinto e a mente.

Vagueio em demasia,

Por toda a fantasia,

A viver dolorosamente.

 

É esta profundidade

Que em tudo me desgasta.

Queria ver tudo com leveza,

E viver com a certeza,

Que esta dor não mais se arrasta.

 

Tenho a alma corroída

A sentir-se atraiçoada.

São expectativas perdidas,

De desilusões vividas,

Porque a identidade me foi roubada.

 

É revolta que aqui paira

Por todo o esforço gorado.

Porque todo este caminho,

A percorrer por mim sozinho,

Não me deixa sentir amado.

 

 
 
 

quarta-feira, junho 11, 2014

Correntes...


Hoje sinto-me vazio. Coberto por esta opacidade que tende a revelar falaciosamente um estado de mero equilíbrio. Mas não. É puramente verosímil crer que o que se exterioriza é coincidente com o que se sente algures entre o peito e a mente. Produzo simulacros contínuos que acabam por divagar em pleno meio relacional com os outros e que chegam a enganar-me a mim próprio, ou não existissem os simulacros para baralhar as semelhanças entre o que realmente existe e aquilo que se gostaria que fosse verdade. É um simples desequilíbrio que faz toda a diferença e torna tudo muito mais sombrio. Mas é também inevitável acabar por tentar transmitir aquilo que parece apenas ser verdade.

Existem fases assim. Sente-se aquele vazio cheio de tudo, difícil de definir e que traz à tona vários emersos sentimentos desalinhados.

Talvez este estado oco esteja coberto de memórias que já se deviam ter desvanecido mas que teimam em permanecer. Provavelmente esta enganadora sensação de alienação não seja mais que uma efetiva materialização da realidade expressa em factos que apenas habitam num espectro intangível. Mas que isso corrói não se pode negar.

Tenho vontade de afogar tudo e deixar bem nas profundezas esta agitação impaciente que se impõe. É querer recomeçar com a crença de que tudo aquilo que é impalpável pode coabitar dentro de mim, com a ignorância na dose certa e a ancora a postos para os momentos em que vem à superfície.

Mentalmente exaltam-se analepses constantes, labaredas acesas que as lágrimas ainda não sufocaram. É fugaz o instinto de querer controlar as memórias e ficam perdidos no tempo os sonhos ilusórios de que o caminho seria totalmente antagónico.

Torna-se um peso ansioso, sem que se desvaneça a querença de por momentos regredir e erguer outro muro, outrora imaginado. E pedra sobre pedra poder empolgar exaltações arbitrárias cujo ímpeto partisse apenas de mim.

Preconizaram-me idiossincrasias obrigatórias que sempre respeitei como leis irrepreensivelmente a serem cumpridas. E hoje, vivo refém deste vazio que me obriga a ir em busca daquilo que realmente já deveria ter em mim como dado adquirido: uma identidade efetivada e alicerçada nos meus princípios-base e não rotulados nos de outrem, a não ser nos que me pertencem.

E é aqui, imóvel à passagem do tempo, que percebo que só reprimindo caminho interiormente em direção a uma réplica de tudo aquilo que transpareço. E é aqui, temporariamente com esperança, que recomeça um novo caminho na tentativa de ser o maior escudeiro de mim mesmo. E é aqui que me encontro e permaneço até conseguir suportar e ultrapassar as claustrofóbicas barreiras que se ergueram à minha volta e que, para já, esmagam a possibilidade clarividente de ser completamente feliz e sem amarras.

terça-feira, abril 08, 2014

(In)Confidências



Sábio mar de revolta espuma
Mistura agreste que vocifera
Sal dos olhos envolto em bruma
Da Dor calada que desespera

Pedaços de ser enviesado
De actos incertos acometidos
Que jamais seja fecundado
O ódio puro nos meus sentidos

Fístula ardente, auto-reprovação
Temor amargo minha alma guia
Poder da escura imensidão
Descoberta-mágoa que arderá um dia

Sou feito de pedaços inscritos
Na mais pura comoção
Quantas sombras, temores ou mitos
Terei eu guardados no coração?

Oh Cegueira da Utopia, olhar-fogo (des)cerebral
Padrão deliberado que revolta
Escondidas há marés de sal
Deixai que o Mundo caminhe à solta...

segunda-feira, julho 14, 2008

Aurora esquecida


Há momentos em que o sol desaparece,
Enregela-se o ar e o corpo adormece.
Há momentos em que o quente arrefece,
O coração gela e a raiva apetece.
Há momentos em que tudo se desmorona,
Tudo apodrece e a calma se esquece.
Há momentos em que minh'alma entristece,
Vontade de viver desaparece e o meu ser empobrece.

Tenho branduras infames em momentos temerosos,
Repúdios coléricos que ditam a falha.
São glórias perdidas acima da dor,
Que me trazem aos olhos a esperança canalha.

Inscrevo o ardor que me traz aqui,
Pela explosão que isso constrói.
Adoraria que não fosse assim,
E que matasse por mim aquilo que me corrói.

Nau vagabunda, mordaça de mar,
À deriva do sonho, perdido navegar.
Canto que fui, canto que sou,
Diferente de tudo, daquilo que sonhou.

Aurora anoitecida, pelo breu da escuridão
Ajuda-me a clarear, a aturdida imensidão.

terça-feira, abril 29, 2008

De mim para comigo




Cai dentro de mim
Um murmúrio infinito,
Quero chegar ali
Com a pressa de um grito.

Cai dentro de mim
A espada de papel.
Impiedade amordaçada
Na esperança de um cordel.

Cai dentro de mim
O sorriso que arrefece,
Rogo amor e esqueço o ódio
Porque cedo adormece.

Cai dentro de mim
A força de um punhal.
Escárnio puro, criança-flor
Bem longe de qualquer mal.

Cai dentro de mim
Ontem, Hoje e Sempre.
Maldição ou mal de amor
Num gemido bem ardente.

E CAIO dentro de mim
Com chama pura de aflição.
Quero MESMO chegar ali
Com a RAZÃO no CORAÇÃO!

domingo, novembro 18, 2007

Transmutações

E porque o passado é parte integrante do nosso presente, decidi invadir todo o pensamento que me atormentava há uma dúzia de meses. De facto não sou mais o mesmo. Tanta angústia que ficou pelo caminho… tanto pedregulho que consegui tirar do sapato… tantas perdas inevitáveis e por vezes incompreendidas… tantas alegrias como conclusões de sonhos tornados realidade… tantos choros pela dificuldade de aceitar as arbitrariedades a priori… tantas vivências que me tornaram no que sou hoje, alguém muito mais rico, muito mais maduro, muito mais genuíno, muito mais EU.



“Conheci uma nova pele, um novo olhar, uma nova respiração, um novo coração…

É tão estimulante como apaziguador de mágoas, esta nova descoberta de mim mesmo, metaforizada num outro ser, com tantos dilemas e anseios como eu próprio, enquanto universo independente e individual!

Cabe-me a mim, agora que escolho que pedra devo retirar do próximo passo e que já consigo contar as veias da mão, fazer com que não derrame sangue por esse caminho a que me propus percorrer…

Vou esperar mais um pouco, nunca se sabe o que se passa do outro lado. Possivelmente, qualquer constelação que se evidencie, mas que prime pela diferenciação, deixará gorada toda a expectativa criada nessa esperança incompreendida, mas instantânea.
Todavia, só peço que nunca te esqueças… gosto de ti!”





Na verdade, passado um ano posso acrescentar que penetrei nesse conhecimento de mim próprio através daquele alguém que me corre nas veias… que já não metaforizo apenas… mas que já me projecto na sua vivência… já me vejo integrante. Retirei muitas pedras… muitas mais haverão para tirar, mas desta vez já não o faço sozinho… já existem duas mãos dadas e entrelaçadas num amor inqualificável e inquantificável. O sangue não derramou e o tempo de espera compensou. Não me desiludi… pelo contrário, fui surpreendido pela mais bonita forma de me sentir… um crescendo a cada beijo, a cada toque, a cada união carnal, a cada entrega pura e desinteressada que reciprocamente nos ofertamos. Venci… e vencemos a cada minuto de amor… a cada estado de intensidade… a cada troca de olhares profundos sem precisar de falar nada para quebrar um arrebatador silêncio… a cada gargalhada… a cada suspiro… a cada pilar que juntos erguemos nesta nossa querença.
Agora já compreendo a outrora incompreendida esperança… é assim que sou verdadeiramente Feliz.
Todavia, só peço que nunca te esqueças… já não gosto de ti… AMO-TE!”

quinta-feira, agosto 16, 2007

Dor de viver!


Existem dias em que tudo desaba! Entramos em nós questionando tudo o que inequivocamente não se explica taxativamente. É aí que tudo pesa cá dentro… a angústia renasce ou acorda como algo constantemente adormecido que volta e meia nos põe o coração nas mãos. Se ao menos pudéssemos controlar o mundo, articular os nossos princípios com as atitudes dos outros e até a nossa conduta, seria muito mais simples ser feliz (mesmo com as amarguras que roemos incessantemente para nos dignificarmos).
Na primeira pessoa afirmo ser comigo mesmo que teimo e entre um conflito e outro vou descobrindo ainda mais pedregulhos poluentes da minha estrutura emocional. É por entre complexos de inferioridade e visualizações de mim mesmo algo pessimistas que vou agonizando muitos dos pedaços do meu quotidiano.
Pressiono-me a mim mesmo para ser feliz porque se assim não for, julgo sucumbir ao comodismo. Porém, desiludo-me quando eu também me acomodo... quando não consigo demover as arbitrariedades da sua própria existência e mais uma vez não controlo tudo. Há dias em que sou nada, muito embora sinta tudo. É esse sentimento exacerbado que me repugna em mim mesmo… já não consigo mais pensar racionalmente. Sinto que perdi o controlo de mim mesmo… sinto que me mudei em prol de muita coisa imerecida e outras até que valem a pena… mas mudei! Cobri-me com uma nova roupagem que em nada se articula com a realidade simples e eficaz.
Queria tanto ser perfeito. Julgo ter sido nessa busca que me tornei pior… lamento não estar ao nível dos outros, das suas capacidades, da sua essência, das suas crenças, da sua beleza aparente. Lamento não chegar para ti como acho que mereces… afinal não sei saborear vitórias. Acho que não sei ganhar… ver o belo onde ele é obscuro… e descobrir-me por entre lamúrias e lamentações. Já não confio mais em mim como outrora… mesmo tendo mudado porque estou vivo. Deixei de sorrir à mais alta estrela com a esperança de um dia lá chegar… Deixei de ser eu, para me poder aceitar interior e exteriormente… mas ainda hoje não sou suficiente para mim. Suicídio? Não, essa seria a cobardia do ser… vou preferir a cobardia do não ser para me poder encontrar, mesmo que para isso tenha que me submeter à dor de viver.

segunda-feira, maio 21, 2007

Mas o amor é isto...

A essência do belo em cada momento que se vive, está presente na partilha profunda e inequívoca com o que vulgarmente chamamos de personificação do coração. Porém, e apesar de todas as contrariedades imanentes a cada senão, há que sorrir para as evidências. Acatar o que é verdadeiro e aceitar a entrega proeminente num próximo ser, para construir a solidez de uma contemplação físico-espiritual. E é nessa mediação de compleições, por vezes ligadas a devaneios masoquistas, que somos felizes quase que absolutamente, na esfera do interior.
É saboroso um toque, que vindo de dentro, toca na outra maré de aptidões circunstanciais para retribuir, mas debruçados na projecção do caminho futuro.
É um misto de querer e poder, com a certeza terrestre que a concretização do agora em nada tem a ver com controvérsias ancestrais.
Mas o amor é isto… uma vivência em unidade num amanhecer pós sofrido e na coloração espiritual da presença da carne como símbolo de união.

quinta-feira, abril 19, 2007

Momentos...


Pela margem desnuda
Pelo rio corrente
Pela manhã que acorda
Pelo sol poente

Num pensamento imaginado
Numa levitação submersa
Pela água que corre
Por entre uma conversa

Uma nuvem que palpita
Um beijo de amor envergonhado
Pela pele da alma escorrega
Com a vontade de ser amado

E no olhar que suspira
No toque desenfreado
Consigo respirar o amor
Sonhando eternamente acordado!




Beijo ;)

domingo, fevereiro 04, 2007

Fim do princípio!!

Acabei de aprender que a crença na materialização dos instintos mais inabaláveis, dimana num misto de picos sensitivos e orgulho por se ter procedido à tentativa. Apesar das constantes objecções, a felicidade final poderá estar mais perto do que realmente se vê. Basta acreditar de novo tanto no ser capaz de apaixonar alguém, como no ter capacidade de se deixar gostar. Basta crer que se pode ser feliz com o que se escolhe… basta libertar vontades recônditas e transmuta-las para vivências lícitas, credíveis, verdadeiras e grandiosas, no seio de toda a perpetuidade da querença de ser como nos manda o interior.
Sinto que o meu bem-estar se encontra no próximo piscar de olhos… vou arriscar e pisca-los já, pode ser que quando os abrir avassaladoramente, me sinta a pertencer à mais encantada razão do coração: o Amor…

sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Dubiedades Adversas

Diante das mais simpáticas adversidades, fui conduzindo o meu mais próximo quotidiano de sorriso nos lábios. A mais pequena abertura dos mesmos e as luzes que irradiavam dos meus olhos, direccionavam o pensamento de quem se cruzava comigo no meu caminho, certamente para o estado mais óbvio: a Paixão.
Foi um estado bonito. Não conseguia parar de transbordar felicidade. Agora sim, posso ser realmente livre em expressar o que o meu coração me diz. No entanto, a situação tende a piorar. Sinto-me perdido… à deriva. Por um único momento que seja, preciso ser feliz plenamente… mas receio o estado seguinte. A complicação inerente ao que circunda o outro lado, e até a minha própria indecisão em tomar partido de um dos rumos de que disponho, activam ainda mais todas as susceptibilidades desta actual vivência.
Vou agonizando a cada segundo que corre, sem que veja a luz no fundo do túnel. “A vida é feita de oportunidades” e juntando aquelas que já perdi, com as que questiono o meu bom agir sobre elas, descubro uma espera interminável, que em nada me garante o regozijo ansiado.
Qualquer que seja o momento que se cria, o ambiente que se obtém, vivo todos de forma intensa com a assimilação necessária para me lembrar exactamente do que se passou. Crio sempre uma visão absolutista de um abraço. É nesse momento que sinto que o físico se mistura com a espiritualidade. Visiono dois mundos distintos: o vulgar, em meu redor, cujos seres vagueiam na tentativa inebriada de viver, e o mágico, aquele em que estou naquele preciso momento. O coração bate. As pernas tremem. O toque concretiza-se. É a isto que chamo sonhar romanticamente acordado.
No fim… bem no fim tudo se eterniza com a dúvida premente que entretanto se continua a arrastar, mesmo após este alquímico momento. E compele-se o meu ser à entrada abrupta na realidade, onde tudo se torna de novo mundano e vulgar: respira-se para se poder acreditar que se vive… com a grande esperança na utópica melhoria do momento seguinte.



(Desculpa voltar a expor-te… desculpa voltar a tocar neste assunto aqui! Mas estava a precisar de desabafar com este meu cantinho! Acho que me percebes!!)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Hesitações


No silêncio de cada passo, na obscuridade de movimentos, na ambiguidade de cada hipotética crença que possa formular, vou continuando a acreditar que é possível! A cada dia que passa, a confusão instaura-se dentro de mim… almejo o sim… o não é garantido… mas temo o talvez!
Qualquer descoordenação sentimental da minha parte, aumenta toda a minha falibilidade de acção relativamente à tua. Compreendo toda a situação, mas não deixo de agonizar a cada segundo que te tenho sem ter… que te sinto sem sentir… que, na verdade estou contigo sem estar.
Sinto-me a arrastar o coração para um ciclo sem fim, sem saída, sem porto de abrigo… para um começo que teima em não terminar. O vazio da esperança ganha, tem a capacidade de piorar toda a ânsia de uma decisão concreta, firme e ponderada. Todavia, estou cônscio de que a melhor atitude é esperar persistentemente como tenho feito até então. Mas a dificuldade inerente à minha capacidade de espera é, na verdade o facto de ter a impaciência como algo assegurado.
Não falho às minhas obrigações… não esqueço as minhas promessas… nem quebro pactos… porém, a distância entre agir como pensamos e actuar segundo o que sentimos é mínima. Tenho medo! Tenho muito medo do sofrimento, do caos interior, da negrura sentimental… do inesperado!
Entretanto, o tempo passa… e o futuro é-nos sentenciado e até nos pune pelas decisões anteriormente tomadas… seja no passado desse mesmo futuro ou no passado do presente…
Nas circunstâncias que circundam os factos, não sei o que será o melhor: se racionalizar a questão, se seguir o que nos mandam as emoções… Mas seja qual for a decisão que tomares, eu só quero que saibas que estou de braços abertos e peito vazio até para recomeçar tudo de novo, se for necessário… pensa, escolhe, mas arrisca sem estagnar!

quarta-feira, dezembro 27, 2006

Inesgotável persistência

A beleza do sentir está intrínseca ao ser Humano! Na verdade, todos sentimos algo seja de que forma for. Podemos conter na ínfima caixinha das sensações “um algo” de qualquer cor, de acordo com a intensidade, imensidão e pré-disponibilidade com que tecemos as demais formas de sentir.
A cada dia que passa, diferentes serão as sensações tácteis, olfactivas, gustativas, visuais ou mesmo auditivas que nos ficarão escritas perpetuamente na lembrança e inquestionavelmente no mecanismo central das emoções. A conjugação do mais belo despertar com o mais singelo adormecer por vezes pode corromper as alegrias mais inebriadas pelo espírito do amor, ou por outro lado, pode deixar crescer o espírito resignado e conformado pelas lutas do nada.
A vitória da seguinte jornada é garantida pelos feitos da actual, desde que esta não se deixe embriagar pelo avassalador sentimento da perda constante e por isso, cessar toda e qualquer peleja. Não obstante, todas as (im)probabilidades apenas estarão desmistificadas após o veredicto sentenciar a certeza, não absoluta (devido à sua inexistência), mas relativa da incontestável negação.
Ainda assim, não deixa de ser voluptuoso lutar pela concretização das crenças mais escondidas nos meandros do coração, reflector da cor vermelha. A aceitação da preciosidade que se aufere, depende única e simplesmente de quem a demonstra e da forma como o faz, sempre no sentido do regozijo do ser que agora passa a habitar a nossa alma.
No que concerne directamente ao que ostento dentro de mim, garanto a vermelhidão de todo o meu ser, da mais ínfima parte à generalidade propriamente dita, e em simultâneo, afianço o desejo e a esperança da realização física sublimada ao mais puro sentimento.
Agora que já percepcionaste que é a ti que me refiro... Qual a longevidade da minha espera no desejo que a tua plenitude repare na minha?

sexta-feira, novembro 17, 2006

Paixão clarividente!

Desfrutando de um presente quase feliz e consentindo a presença intemporal e irremediavelmente obrigatória do passado já sentido, vou caminhando passo a passo em prol do que se seguirá! A descoberta de novos estados, formas de estar e respirações, por vezes até controversas, possibilitou a construção, talvez até metamorfoseada, do meu próprio universo. Agora já sei quantas veias me correm pelas mãos!
É entre águas movediças e traiçoeiras e entre fogos avassaladores e penetrantes, intimamente falando, que vou verificando a existência de um novo eu… aquele que se transforma e transporta toda a carga necessária do que já apreendeu, mas com linhas suficientes para a assimilação do que ainda há para conhecer.
Conheci uma nova pele, um novo olhar, uma nova respiração, um novo coração… ao fim e ao cabo, sou mais um dos mortais humanos que vitalmente necessitam de novos desafios, para que consigam emergir no quente e frio do simples e por vezes insignificante quotidiano, a que condenavelmente têm que sobreviver.
É tão estimulante como apaziguador de mágoas, esta nova descoberta de mim mesmo, metaforizada num outro ser, com tantos dilemas e anseios como eu próprio, enquanto universo independente e individual! Ciclicamente, findam-se momentos de eternização do que foi belo! Não obstante, descobrem-se novas belezas escondidas e submissas noutras passagens deste diário completamente uno com o meu próprio coração.
Cabe-me a mim, agora que escolho que pedra devo retirar do próximo passo e que já consigo contar as veias da mão, fazer com que não derrame sangue por esse caminho a que me propus percorrer…
Exaltações sensitivas, ultrapassagens perigosas ou mesmo rompimentos de imagens aguçadas pela incredulidade, fazem da vida um oceano de surpresas esperadas e longinquamente previsíveis pelo conteúdo dos próprios acontecimentos…
Vou esperar mais um pouco, nunca se sabe o que se passa do outro lado. Possivelmente, qualquer constelação que se evidencie, mas que prime pela diferenciação, deixará gorada toda a expectativa criada nessa esperança incompreendida, mas instantânea.

Todavia, só peço que nunca te esqueças… gosto de ti!

segunda-feira, julho 17, 2006

Theme From Dying Young

Entretanto mudei de tema. Decidi regressar a Kenny G. por ser na realidade um marco da música internacional… o nome já vocês sabem pelo título… o conteúdo poderão desfrutar ao longo da leitura deste blog…

Futuros...

Passada a época da prova constante e festejada a entrada sistemática num novo ciclo, resta-me apenas esperar pelo amanhã.
A imponente transladação de estado acarreta toda uma carga de esperança comum de ano para ano. A crença caracteriza-se por uma obrigatoriedade futurista mas sobretudo longínqua. Transformam-se utopias em realidades necessárias, sonhos em previsões e vontades em certezas. Instintivamente não se pensa no Mal.
Não sou diferente, confesso. Nostalgicamente aprofundo a magia de outrora e canalizo-a para o futuro. Mas este ano diverge de muitos outros marcados pela estável igualdade. Este representa o cheiro do desconhecido, da mudança. Intensifica-se o querer saboreá-lo consciente das adversidades que possam daí advir.
Consome-me a incredulidade pelos espíritos vagabundos e flutuantes que pela impassibilidade anunciada ao agora, permanecem aprisionados ao passado. Devo dizer que por muitas vezes também mergulho num ciclo, cujas paragens se delimitam pela história do Ontem. Todavia, o olhar sempre emerge com a (in)definição da vida seguinte, quer pela roupagem com que tento vesti-la (quem sabe um meio para atingir o fim) ou quer pela verdadeira esperança acalentada e que hipoteticamente pode ou não residir na execução do clarividente som (a minha inegável essência).
Ainda assim, há que reflectir sobre o que já Sartre afirmava. Uma vez que a “existência precede a essência” e que está liberta de toda e qualquer influência alheia do mundo que a rodeia, até que esta se apodere dela com a devida oportunidade, devo inferir que, de facto, me considero possuidor da essência que eu próprio desenhar e da coloração nela contida, que o meu mais incrível eu lhe oferecer.
Apenas resta salientar que apesar da insegurança propícia a este inconfundível estado, digno de grande relevância, pretendo subjugá-la à mais ínfima parte de mim, na medida em que consiga tocar o céu, não pelas nuvens, mas pela escada da Terra…

domingo, maio 07, 2006

Verdades...

Existem certas ocasiões na nossa permanente luta diária que a tornam cada vez mais significativa. A convivência constante com quem nos rodeia, embora seja vital para uma aprendizagem compartilhada, também não deixa de ter um lado inesperadamente falacioso e enganoso. É inegável que assim aconteça.
Poderia descrever aqui múltiplas situações que revoltam, desiludem e até entristecem, mas não valeria a pena pela importância imerecida pelos demais. Na verdade, o causador de tudo isto é a relevância não intelectual, mas emocional que dedicamos àqueles que julgamos essencialmente verdadeiros. Se assim não fosse, viveríamos muito mais desprovidos de desilusões constantes. Mesmo assim, o caso intensifica-se quando são pessoas inesperadas (ou talvez não) e que consideramos fazerem parte do nosso coração.
Sofismas e afirmações anacronicamente coadunadas com a realidade mas aceites como irrefutáveis e verdadeiras são actos efectuados por quem não nos apercebemos e justamente no momento mais necessário de apoio e amizade afirmativamente já declarada. Se outrora afirmava que emergíamos neste mundo marginal, actualmente sinto-me apto a declarar que é o mundo que tenta submergir a tanta delinquência mental e psicológica. É necessária uma reavaliação de competências natas e principalmente ganhas pela obrigatória convivência a que fomos impostos.
Todavia, não nos deixemos iludir por apontamentos simplicistas e que acarretam situações que se especulam ser de maior negrura. Devemos, sim, elucidar a espuma das ondas, sobre a sujidade que o mar tem. Há que atribuir a devida importância a cada riso de esperança, esquecendo a forma fervorosa com que sofremos em vão.
Vozes inconscientes mandam no esquecimento, para que a lembrança perca protagonismo. No entanto, actos palpáveis e completamente equidistantes do Verdadeiro Saber Ser, derrubam toda e qualquer réstia de sentimentos longínquos.
Anseia-se a lua, sem se atingir o sol… erro fatal para o espírito ingénuo e inexperiente para a vida evolutiva. O amanhã encontra-se cerrado pelo aglomerado de condicionantes que o cerca acerrimamente, sem deixar que se conquiste a tão esperada situação desenvolvimentista. A inspiração no passado pela força dos seus erros e a intensidade do presente que tão bem nos faz ter esperança acarretam uma grande carga dúbia: ou o desejo de inércia ou o exorcismo de “factos e circunstâncias” que desagúem num novo estado de vida. O homem, enquanto ser dual, deve procurar manter-se estático perante uma recaída no seu lado mais marginal, mas ninguém espera as intempéries do quotidiano e quem sabe se não haverão frutos colhidos depois do mau tempo passar…

terça-feira, março 21, 2006

Felicidade


Insatisfeito com tudo o que vai conseguindo, o Homem age conforme tudo aquilo que pensa e sente. Na verdade, toda e qualquer substância emocional dentro de nós sobrepõe-se à mais pura matéria racional que hipoteticamente lá possa existir.
O ser é o resultado de alegrias e tristezas divididas, luz e escuro repartidos e virtudes e defeitos equilibrados. Na falta de qualquer uma destas características, enfatizam-se assimetrias que podem ser prejudiciais.
Procura-se alcançar o limite da Felicidade, julgando-se que só assim ela será eterna. Mas é puro engano. A noção de ser feliz está materializada por um consumismo mesmo ao nível sentimental.
Para mim, Felicidade é aquele simples momento em que descobrimos novos sorrisos no nosso coração. É quando penetramos no nosso imaginário e perspectivamos os passos seguintes, porque a vida é um lutar constante e consecutivo para simplesmente se Ser.
A paixão está na simplicidade da existência, no riso espontâneo, no amor pelo respirar. Nunca se pode estereotipar uma vida, é o erro dos demais… A fluência do dia-a-dia é a regra básica para se iniciar a escalada eminente pelo pleno estado feliz. Âncoras içadas ao mar da ancestralidade devem perdurar apenas se temperadas com o olhar futurista de um amanhã absorvente e empreendedor no seu sentido mais lato.
A vivência segundo estímulos felizes constrói-se e é essa a grande esperança que reside em mim. A maturação grita-me e eu recebo-a com tudo o que tenho. Acredito em cada segundo, em cada suspiro, em cada ilusão…acredito em mim!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Jornadas cíclicas


A mecanização vivencial da actualidade é o paradigma que revela a ingenuidade individual e quotidiana de uma sociedade. Esta minha incredulidade é uma derivação imperfeita dos rumos escolhidos por outrem e por mim mesmo. Quando me sento e observo marcas de caminhos sincronizados na simultaneidade premeditada, arde-me o coração por repudiar qualquer espécie de difusão semelhante ao juízo colectivo. O todo padronizado apavora a mais gélida das almas. Todavia, estas tentam sobreviver no regime que vigora actualmente: o da submissão. É tão mais fácil a escolha pela concepção generalizada, que conceber uma nova, fresca e revitalizadora. O antagonismo precoce e singular impera desde a fertilização, mas teme-se aceitá-lo pelas consequências traumáticas que dele advêm, ou podem advir.
Mesmo assim, acena-se futilmente à grandiosidade de actos vãos que dominam numa mentalidade prematura, histórica e em nada evolutiva. Afinal de contas, sorri-se por não existir nada mais a acrescentar.
É na vontade do amanhã que se estabelecem permutas presentes, interpretadas como irrefutáveis a uma futura conduta. Mas a sabedoria alicerçada, não na vontade (que se torna susceptível e suspeita de qualquer senso comum) mas numa crença verdadeiramente credível pelos demais e relativamente autêntica, facilitaria muito mais a crescente globalização do ser no ilimitado ambiente onde se insere.
Urge o espírito da revolução cravado no sangue individual e colectivo. A vontade evolutiva devia ter a moralidade de predominar no todo consciente. É necessário acreditar para resistir. Porém, é tão menos precisa a imitação intencional de quem se sabe ou pensa intrinsecamente BOM. A inércia constante face a uma melhoria cognitiva numa perspectiva evolutiva, exalta de mim a revolta pela generalidade mundana a que somos confrontados e cruelmente obrigados a admitir.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Monotonia!

E como a monotonia e a inércia são ambas inimigas do desenvolvimento e de uma melhoração em todos os sentidos, nada melhor como mudar tempráriamente a música deste blog. Deixo-vos agora com What a Difference a Day Made de Jamie Cullum... Deliciem-se!!!