Segunda-feira, Julho 14, 2008

Aurora esquecida


Há momentos em que o sol desaparece,
Enregela-se o ar e o corpo adormece.
Há momentos em que o quente arrefece,
O coração gela e a raiva apetece.
Há momentos em que tudo se desmorona,
Tudo apodrece e a calma se esquece.
Há momentos em que minh'alma entristece,
Vontade de viver desaparece e o meu ser empobrece.

Tenho branduras infames em momentos temerosos,
Repúdios coléricos que ditam a falha.
São glórias perdidas acima da dor,
Que me trazem aos olhos a esperança canalha.

Inscrevo o ardor que me traz aqui,
Pela explosão que isso constrói.
Adoraria que não fosse assim,
E que matasse por mim aquilo que me corrói.

Nau vagabunda, mordaça de mar,
À deriva do sonho, perdido navegar.
Canto que fui, canto que sou,
Diferente de tudo, daquilo que sonhou.

Aurora anoitecida, pelo breu da escuridão
Ajuda-me a clarear, a aturdida imensidão.

Terça-feira, Abril 29, 2008

De mim para comigo




Cai dentro de mim
Um murmúrio infinito,
Quero chegar ali
Com a pressa de um grito.

Cai dentro de mim
A espada de papel.
Impiedade amordaçada
Na esperança de um cordel.

Cai dentro de mim
O sorriso que arrefece,
Rogo amor e esqueço o ódio
Porque cedo adormece.

Cai dentro de mim
A força de um punhal.
Escárnio puro, criança-flor
Bem longe de qualquer mal.

Cai dentro de mim
Ontem, Hoje e Sempre.
Maldição ou mal de amor
Num gemido bem ardente.

E CAIO dentro de mim
Com chama pura de aflição.
Quero MESMO chegar ali
Com a RAZÃO no CORAÇÃO!

Domingo, Novembro 18, 2007

Transmutações

E porque o passado é parte integrante do nosso presente, decidi invadir todo o pensamento que me atormentava há uma dúzia de meses. De facto não sou mais o mesmo. Tanta angústia que ficou pelo caminho… tanto pedregulho que consegui tirar do sapato… tantas perdas inevitáveis e por vezes incompreendidas… tantas alegrias como conclusões de sonhos tornados realidade… tantos choros pela dificuldade de aceitar as arbitrariedades a priori… tantas vivências que me tornaram no que sou hoje, alguém muito mais rico, muito mais maduro, muito mais genuíno, muito mais EU.



“Conheci uma nova pele, um novo olhar, uma nova respiração, um novo coração…

É tão estimulante como apaziguador de mágoas, esta nova descoberta de mim mesmo, metaforizada num outro ser, com tantos dilemas e anseios como eu próprio, enquanto universo independente e individual!

Cabe-me a mim, agora que escolho que pedra devo retirar do próximo passo e que já consigo contar as veias da mão, fazer com que não derrame sangue por esse caminho a que me propus percorrer…

Vou esperar mais um pouco, nunca se sabe o que se passa do outro lado. Possivelmente, qualquer constelação que se evidencie, mas que prime pela diferenciação, deixará gorada toda a expectativa criada nessa esperança incompreendida, mas instantânea.
Todavia, só peço que nunca te esqueças… gosto de ti!”





Na verdade, passado um ano posso acrescentar que penetrei nesse conhecimento de mim próprio através daquele alguém que me corre nas veias… que já não metaforizo apenas… mas que já me projecto na sua vivência… já me vejo integrante. Retirei muitas pedras… muitas mais haverão para tirar, mas desta vez já não o faço sozinho… já existem duas mãos dadas e entrelaçadas num amor inqualificável e inquantificável. O sangue não derramou e o tempo de espera compensou. Não me desiludi… pelo contrário, fui surpreendido pela mais bonita forma de me sentir… um crescendo a cada beijo, a cada toque, a cada união carnal, a cada entrega pura e desinteressada que reciprocamente nos ofertamos. Venci… e vencemos a cada minuto de amor… a cada estado de intensidade… a cada troca de olhares profundos sem precisar de falar nada para quebrar um arrebatador silêncio… a cada gargalhada… a cada suspiro… a cada pilar que juntos erguemos nesta nossa querença.
Agora já compreendo a outrora incompreendida esperança… é assim que sou verdadeiramente Feliz.
Todavia, só peço que nunca te esqueças… já não gosto de ti… AMO-TE!”

Quinta-feira, Agosto 16, 2007

Dor de viver!


Existem dias em que tudo desaba! Entramos em nós questionando tudo o que inequivocamente não se explica taxativamente. É aí que tudo pesa cá dentro… a angústia renasce ou acorda como algo constantemente adormecido que volta e meia nos põe o coração nas mãos. Se ao menos pudéssemos controlar o mundo, articular os nossos princípios com as atitudes dos outros e até a nossa conduta, seria muito mais simples ser feliz (mesmo com as amarguras que roemos incessantemente para nos dignificarmos).
Na primeira pessoa afirmo ser comigo mesmo que teimo e entre um conflito e outro vou descobrindo ainda mais pedregulhos poluentes da minha estrutura emocional. É por entre complexos de inferioridade e visualizações de mim mesmo algo pessimistas que vou agonizando muitos dos pedaços do meu quotidiano.
Pressiono-me a mim mesmo para ser feliz porque se assim não for, julgo sucumbir ao comodismo. Porém, desiludo-me quando eu também me acomodo... quando não consigo demover as arbitrariedades da sua própria existência e mais uma vez não controlo tudo. Há dias em que sou nada, muito embora sinta tudo. É esse sentimento exacerbado que me repugna em mim mesmo… já não consigo mais pensar racionalmente. Sinto que perdi o controlo de mim mesmo… sinto que me mudei em prol de muita coisa imerecida e outras até que valem a pena… mas mudei! Cobri-me com uma nova roupagem que em nada se articula com a realidade simples e eficaz.
Queria tanto ser perfeito. Julgo ter sido nessa busca que me tornei pior… lamento não estar ao nível dos outros, das suas capacidades, da sua essência, das suas crenças, da sua beleza aparente. Lamento não chegar para ti como acho que mereces… afinal não sei saborear vitórias. Acho que não sei ganhar… ver o belo onde ele é obscuro… e descobrir-me por entre lamúrias e lamentações. Já não confio mais em mim como outrora… mesmo tendo mudado porque estou vivo. Deixei de sorrir à mais alta estrela com a esperança de um dia lá chegar… Deixei de ser eu, para me poder aceitar interior e exteriormente… mas ainda hoje não sou suficiente para mim. Suicídio? Não, essa seria a cobardia do ser… vou preferir a cobardia do não ser para me poder encontrar, mesmo que para isso tenha que me submeter à dor de viver.

Segunda-feira, Maio 21, 2007

Mas o amor é isto...

A essência do belo em cada momento que se vive, está presente na partilha profunda e inequívoca com o que vulgarmente chamamos de personificação do coração. Porém, e apesar de todas as contrariedades imanentes a cada senão, há que sorrir para as evidências. Acatar o que é verdadeiro e aceitar a entrega proeminente num próximo ser, para construir a solidez de uma contemplação físico-espiritual. E é nessa mediação de compleições, por vezes ligadas a devaneios masoquistas, que somos felizes quase que absolutamente, na esfera do interior.
É saboroso um toque, que vindo de dentro, toca na outra maré de aptidões circunstanciais para retribuir, mas debruçados na projecção do caminho futuro.
É um misto de querer e poder, com a certeza terrestre que a concretização do agora em nada tem a ver com controvérsias ancestrais.
Mas o amor é isto… uma vivência em unidade num amanhecer pós sofrido e na coloração espiritual da presença da carne como símbolo de união.

Quinta-feira, Abril 19, 2007

Momentos...


Pela margem desnuda
Pelo rio corrente
Pela manhã que acorda
Pelo sol poente

Num pensamento imaginado
Numa levitação submersa
Pela água que corre
Por entre uma conversa

Uma nuvem que palpita
Um beijo de amor envergonhado
Pela pele da alma escorrega
Com a vontade de ser amado

E no olhar que suspira
No toque desenfreado
Consigo respirar o amor
Sonhando eternamente acordado!




Beijo ;)

Domingo, Fevereiro 04, 2007

Fim do princípio!!

Acabei de aprender que a crença na materialização dos instintos mais inabaláveis, dimana num misto de picos sensitivos e orgulho por se ter procedido à tentativa. Apesar das constantes objecções, a felicidade final poderá estar mais perto do que realmente se vê. Basta acreditar de novo tanto no ser capaz de apaixonar alguém, como no ter capacidade de se deixar gostar. Basta crer que se pode ser feliz com o que se escolhe… basta libertar vontades recônditas e transmuta-las para vivências lícitas, credíveis, verdadeiras e grandiosas, no seio de toda a perpetuidade da querença de ser como nos manda o interior.
Sinto que o meu bem-estar se encontra no próximo piscar de olhos… vou arriscar e pisca-los já, pode ser que quando os abrir avassaladoramente, me sinta a pertencer à mais encantada razão do coração: o Amor…